segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO POTENCIALIZA ESCOLHAS E RESULTADOS



O programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, no dia 18 de fevereiro, divulgou uma matéria sobre a importância do Planejamento Estratégico para negócios de qualquer tamanho (clique aqui). 

Em 2017, tive a oportunidade de ministrar dois treinamentos in company pela SUPORTE Consultoria sobre os temas Comunicação e Educação Previdenciária e resolvi iniciar a exposição falando do Planejamento Estratégico, exibi alguns exemplos dos documentos que eu mais admiro, falei do alinhamento das ações de Comunicação, dos resultados, dos indicadores para acompanhamento do desempenho no longo prazo. As etapas podem parecer lógicas e óbvias, mas nem todo mundo está acostumado a trabalhar com essas diretrizes. 

Alguns empreendedores influenciadores na área de inovação, inclusive, afirmam dispensar o processo de elaboração do Planejamento Estratégico, por considerarem conceitual demais, desperdício de tempo que pode ser direcionado para ações práticas ou por atribuírem uma perda de flexibilidade diante de oportunidades da gestão. 

Eu discordo. Penso que o Planejamento traça metas, objetivos, gols. Ajuda a alinhar times. É um briefing  prévio e geral do que é imprescindível conquistar. Além de atividades pautadas pelo Planejamento Estratégico em eventos, ações de apoio à gestão, treinamentos, também observo como outros profissionais comprometidos com resultados se valem desse instrumento.

Medalha, superação de recordes, estado da arte

Tenho acompanhado algumas matérias sobre Olimpíadas de Inverno. Sem dúvida, existe um grande planejamento para o qual converge cada resultado de cada atleta. Técnica, alimentação, condicionamento físico, estado psicológico - para cada um desses fatores é traçado um plano personalizado, com o objetivo primeiro de conquistar medalha. Há quem supere os resultados históricos e conquista novos recordes. E há quem ainda - por toda a excelência na performance - atinja o estado da arte e conquiste o público.

O Planejamento Estratégico está em uma rota que você traça para se movimentar com mais eficiência, por exemplo, na cidade de São Paulo - desviando de congestionamentos, selecionando o trajeto mais curto ou o mais bem pavimentado, com mais opções de transporte público. Enfim, as escolhas dependem do objetivo.

Nestes últimos dias, estive envolvida com algumas pequisas e vi que a PREVIC passou a dedicar uma área do site para divulgar seu Planejamento Estratégico (clique aqui). Acho que, no mínimo, pode inspirar as Entidades Fechadas de Previdência Complementar a reverem suas crenças sobre o documento.

Funcional

Para mim, a característica mais importante de um Planejamento Estratégico é a objetividade.

Se para a gestão de uma EFPC em 2018 a principal meta é a conquista de um superávit histórico, então as ações de todas as áreas precisam convergir para cumprir com a meta, captando novas patrocinadoras, adesões ao plano, aprovando uma política de investimentos mais arrojada, fazendo campanhas para estimular aumento de percentual de contribuição, contribuição voluntária e portabilidade, desestimulando resgates. 
É preciso mapear tudo o que estratégica e taticamente faça chegar à meta, à superação histórica de resultados e à conquista de corações e mentes do público de interesse institucional. 
Ah! E o primeiro movimento é apresentar e validar o Planejamento Estratégico para a equipe interna, porque dela depende toda a operacionalização do trabalho. Portanto, capriche para inspirar a todos!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

OS GIGANTES QUE JÁ FORAM TAMPINHAS


Na virada de 2017 para 2018, no mundo da Comunicação, duas notícias me chamaram à atenção: a compra da Fox pela Disney - negócio de US$ 52 bilhões (clique aqui) e os rumores de que a Apple pode comprar a Netflix (clique aqui). O movimento desses gigantes significa? Significa!



Entre Fox e Disney, por se tratarem de empresas de mesma natureza, penso haverá a tradicional otimização de recursos e, claro, uma remodelagem na produção de conteúdo, com influências mútuas de culturas institucionais.

Já entre Apple e Netflix - empresas de naturezas diferentes - penso que a história seja mais complexa. A cultura de tecnologia, inovação, design que vimos se expressar por meio da Pixxar e a cultura de escala, baixo custo, séries da Netflix devem se combinar em algo potencialmente novo. Sei que estou especulando, mas é impossível não imaginar as mutações desses casamentos, especialmente em ambiente de rede. 

Ah, o tão planejado domínio do mundo de Pink e Cérebro! É mais do que uma metáfora. Trata-se de market share, mind share, heart share e, claro, pocket share!

Conteúdo em vídeo

Cada vez que escrevo isso, minha consciência me aponta a incoerência: deixe a escrita! Faça vídeo! Como uma criatura do século 20, eu me dou essa permissão. Mas sei que ela expirou faz tempo! Ao invés de blogue eu deveria ter um canal no YouTube. Sei. Não fiz ainda. Mas, me assusto quando encontro editais de serviços especializados de Comunicação que ainda pedem produção de cartilhas, manuais, regulamentos impressos.


Agora, tudo é vídeo e app! Por favor, peçam roteiros para tutoriais, storytelling, novas expressões. Estimulem seus públicos com novas linguagens. Porque, em casa, não importa a faixa etária, seus públicos terão contato com o conteúdo que está nas redes sociais. Aqui no Brasil, a Vivo lançou com uma campanha linda, que registra muito bem esse movimento.


Para encerrar este post, uma dica: a Netflix tem um título - Walt antes do Mickey - que mostra os tempos de "tampinha" do camponês Walt, antes de se transformar no gigante Disney. Ele precedeu as garagens no Vale do Silício, habitadas por Steve Jobs & Cia. É, não é fácil para ninguém. Mas uma coisa é certa! É preciso ter coragem de gigante para mudar hábitos e fazer novas realidades.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

BALANÇO 2017 E PROJETOS PARA 2018

Quando a gente entende o conceito do longo prazo, fazer o balanço do ano é um exercício interessante, quando cada ação pode ser vista em detalhes, com close. Pela perspectiva profissional, 2017 me proporcionou muita coisa legal:
  • Conteúdo para calendário institucional
  • Revisão de conteúdo para site de Educação Previdenciária
  • Produção de conteúdo para Relatório Anual de Informações
  • Dois cursos sobre Comunicação e Educação Previdenciária - Piracicaba e Rio de Janeiro
  • Mais um ano de clipping, produção e gestão de conteúdo institucional para rede social
  • Captação e edição final de conteúdo em vídeo para a TV ABRAPP em eventos institucionais 
  • Planejamento e coordenação da produção de conteúdo da TV ABRAPP no Congresso (estúdio e estação)
  • Produção de conteúdo como colaboradora para revista Carta do Líbano
  • Produção de resumos de novela como colaboradora para a Folha de S. Paulo
No meio de tudo isso, uma visita técnica à Fibra, para aprender um pouco sobre gestão de informação, o acompanhamento de um curso sobre gestão baseada em indicadores e um TED x USP sobre interações, para encerrar o ano. Pode parecer mais do mesmo, só que não!

O conjunto da obra - 34 anos de carreira - revela que todo esse movimento tem muito de novidade. Um só detalhe já explica parte da história. Em 2002, quando defendi a interpretação dos indicadores em banca de mestrado, o tema foi tomado quase que como uma excentricidade pelos colegas de Comunicação. Mas foi esse tema que me levou a apresentar a abordagem também em São Carlos e na ESALQ.

Ouvir muitos especialistas durante tanto tempo, também me ensinou a encarar as crises como ciclo. E a tomar medidas para lidar com o desespero, enquanto o movimento da roda deixa de ser a meu favor.

A novidade foi que 2017 também me deu a oportunidade de voltar a escrever perfis. Adoro fazer isso! Para mim, perfil é um drops de uma biografia. Pela amostra dá para conhecer o sabor da história inteira. E ficar querendo mais, quando o texto acaba. Fiz várias! De pessoas que eu, a distância, conhecia ou passei a conhecer. Vidas e cultura novas pela experiência da palavra. 

O ano me deu ainda a chance de reorganizar um conhecimento de sete anos de produção de TV ABRAPP em estúdio no Congresso, para atuar simultaneamente com uma estação de captação de entrevistas. O trabalho dobrou. Mas o resultado foi empolgante.

Com algum distanciamento, vejo 2017 e agradeço pela prática da diversidade. Eu trabalhei em situações novas. Revival da técnica, mas com temas e formatos novos.
👍👍👍👍👍Eu adorei! 💕💕💕💕💕

Qual a expectativa para o próximo ano? Por enquanto, só tenho uma intuição. A Comunicação precisará ser praticada com muito mais predisposição para aceitar o novo, o simples, o objetivo, o diferente, a rede. Por mais que muito tenha sido feito, há ainda muito por fazer, porque a Comunicação é a vida, a mudança, o movimento, o inesperado. O tempo passa pela mensagem e exige que ela se renove, se transforme e  expresse de acordo com ele. Mensagens de quaisquer naturezas. Por isso, há muito mais a fazer, sempre. Venha 2018. Feliz 2018!






quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O PLANO É CRIAR CAMINHOS


Tenho visto alguns gurus da inovação dispensarem o planejamento estratégico. As críticas são várias: consome tempo que você poderia empenhar na execução; é complexo; pode engessar o projeto... e por aí vai! 

Nada contra os caras, mas eu não consigo deixar de pensar no papo da Alice e  com o Ches quando vejo isso. Claro! Eu não sou nenhuma Einstein. Daí que as inovações no meu trabalho, em geral, são incrementais para que os resultados tenham alguma previsibilidade, margem de segurança e os desvios possam ser resolvidos antes que provoquem qualquer tipo de caos ou catástrofe.

Então, eu defendo a utilização do planejamento estratégico! E quanto mais tempo eu tenho, mais complexo ele fica. Só que os resultados são maiores. Entre 2011 e 2016, eu produzi TV ABRAPP para o Congresso Brasileiro da Previdência Complementar Fechada. Sempre com entrevistas gravadas em estúdio. Esse tempo foi essencial para que toda a equipe pudesse criar e desenhar processos, experimentar linguagem, calcular o melhor tempo para cada mensagem, afinal os temas não são nada triviais, a articulação de ideias é complexa, a expressão usa um vocabulário específico. O conteúdo captado nem sempre permite edição. 

Entendemos todos esses processos. Por isso, em 2017 quando, além do estúdio, surgiu a oportunidade de trabalhar com mais um ponto de captação de entrevistas, topamos e implementamos. Tinha risco? Claro! Deu certo? Deu! Porque - com planejamos uma espécie de colchão operacional de proteção. Previmos muitas situações e criamos soluções para cada uma delas. Além disso, quem era novo na equipe tinha orientação sobre o ponto de partida, como tinha que ser a performance, as expectativas de resultados que, graças a todo esse cuidado, foram superadas. Para a edição 2018 do evento, já começamos a trabalhar. 

Metas realistas e predictibilidade

Planejamento, curiosamente, é uma ferramenta estática para alavancar movimento. Ninguém planeja só ficar como está. A gente planeja é para evoluir. É por isso que quem planeja analisa ambiente, tendências, comportamentos - da mesma forma que um piloto tem um plano de voo, um professor tem um plano de aula, um arquiteto tem um planta.

Em Previdência Complementar, as metas para 2018 podem incluir migração de modelo de plano - em geral, de BD para CD; criação de perfis de investimento - especialmente diante da queda da taxa de juros e estabilização da economia; criação de um programa de Educação Previdenciária; construção e lançamento de um app; aumento do percentual de adesão; aumento do percentual de contribuição; aumento das portabilidades de entrada; redução dos resgates; lançamento de um plano para familiares. Enfim, tem muita meta que pode ser estabelecida a favor da sustentabilidade institucional, da sustentabilidade financeira do participante e do padrão de qualidade da política de Gestão de Pessoas da Patrocinadora.
Para desenhar o plano de ação em Comunicação é preciso conhecer previamente quais são as metas institucionais e os recursos disponíveis (humanos, tecnológicos, financeiros). Com essas informações em mãos, é possível estabelecer cronogramas, desenhar as expectativas de resultados, projetar os indicadores de monitoramento e controle.

Resumo da ópera, Cara Pálida! A gente chega ao futuro por vários caminhos. A evolução pode ser por inovações revolucionárias mas, em Previdência, a evolução é incremental, porque a aventura não é correr uma prova de 100 metros, mas os 42 quilômetros de uma maratona completa. Nosso compromisso é, durante todo o percurso, evitar riscos, amadorismos, perdas e garantir resultados constantes sempre. Afinal, nosso objetivo é o melhor futuro!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

PLANEJAMENTO 2018 EXIGE REDES SOCIAIS!


O que você está fazendo neste momento? Contabilizando os resultados de 2017? Plano de ações 2018? Seja lá o que for, mantenha em mente: priorize as redes sociais em seus projetos. Se não der para priorizar, ao menos inclua! Depois, faça acontecer. Produza e compartilhe muito conteúdo de qualidade. Construa novos apelos. Monitore os indicadores. Acredite. Invista. 

Comunicação é uma relação de longo prazo, que se estabelece com a razão, o coração, a memória, o imaginário do interlocutor. Comunicação estabelece novas sintaxes e ressignifica a semântica. Parece simples, só que não!


Se você acha que estou de muito blá-blá-blá, então ligue a televisão, acesse o Youtube e investigue por você mesmo, Cara Pálida. Aqui eu vou te dar só um drops. O mercado está disputando a tapa o coração, a mente, o bolso do seu participante/assistido/cliente. E presta atenção na linguagem. Metáfora com receita de bolo de dinheiro? É! Os caras da Órama mandaram muito bem! E fazem tudo para interagir com o participante/assistido/cliente.


Previdência: um papo mais popular

A visibilidade que a Reforma da Previdência deu ao tema também mobilizou o mercado para criar apelos de oportunidade. Já mostrei aqui no Conversação a campanha do Bradesco para os "previstos". Por isso, agora, acho que vale mostrar então a campanha  "língua do P", da Caixa Econômica.



Prestou atenção? Não há obstáculos (rendimento insuficiente, previdência é desconto, previdência é incompreensível) para o "call to action". Há foco no que precisa ser feito. No resultado que precisa ser conquistado.

Ó os aplicativos aí, gente!

E não são apenas os tubarões que estão aí, seduzindo o seu participante/assistido/cliente. Já experimentou buscar no Youtube "aplicativo para poupar dinheiro"? A rede social devolve para você mais de 11 mil respostas em vídeo. Tem tutorial, orientação, comparativo de tudo. Se der moleza, já sabe! Aquela contribuição extraordinária que poderia somar para o patrimônio previdenciário pode ter outro destino.

Como é que se compete, como é que se nada nesse rio? Com coragem e um planejamento estratégico que associe metas a ações integradas de Comunicação em todas as modalidades, 360º! Então, para encerrar o post e não o papo, que tal a campanha do app da Next? Por enquanto, só foi veiculada em redes sociais. Mas é de lascar!


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER!


Será que a Reforma da Previdência sai ainda em 2017? Esta semana, a TV Cultura apresentou uma edição temática do programa Roda Viva. Só feras debatendo essa questão da Reforma da Previdência, com dados estatísticos, cálculos orçamentários, projeções tributárias tudo muito atualizado. 
Se, até há dois anos, o tema não era notícia, agora é! Se, até há dois anos, o vocabulário era um obstáculo ao significado, isso não acontece mais. Os fatos estão aí. Só não enxerga quem não quer. Só polemiza quem quer. Há outras forma de fazer a Reforma? Isso é outra questão! Há poucas semanas, o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, foi sabatinado sobre vários temas econômicos pela bancada do Roda Viva. A Reforma da Previdência foi só um dos assuntos. Muito didaticamente, ele explicou que o nome "reforma" dá a ideia equivocada de formato definitivo quanto, de verdade, trata-se de um processo dinâmico; não termina porque a demografia, a economia, a sociedade, a política são orgânicas. (clique aqui para ver mais).

A demografia é transgressiva

Nesta semana, Fábio Giambiagi - uma das maiores autoridades sobre Previdência no mundo e no Brasil -  explicou que a reforma está em debate há 20 anos. Enquanto isso, o cenário está mudando, alheio aos interesses em jogo. Enquanto falamos muito, falamos muito, falamos muuuuito deixamos o bonde passar. O bônus demográfico já acabou. A longevidade está instalada, sem a estrutura que poderia ter sido objeto de política públicas. E agora não dá mais para fugir. Se fugir, o cenário apocalíptico do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul, da Venezuela, da Grécia será generalizado. A demografia ignora leis e a longevidade é democrática. Atinge a todos!



Outra questão debatida, que me parece bastante pertinente é a velha história de que não há cultura previdenciária no Brasil. Quem explica a impopularidade do tema é outra autoridade: Paulo Tafner. Ele explica que em nenhum país do mundo, os cidadãos saem felizes às ruas, motivados por ajustes e reformas previdenciárias. No Brasil, a questão é um pouco mais crítica, em razão da experiência cruel com pagamentos de impostos sem retorno.
A economista Zeina Latif destacou o trabalho da imprensa, empenhada em incluir a pauta por diferentes abordagens. Concordo! Naquela mesma noite, no Jornal Nacional, o relatório analítico do Banco Mundial com as recomendações - inclusive sobre os salários dos servidores públicos - era divulgado pelo Jornal Nacional. (clique aqui)
Sei que a amostragem é cientificamente irrelevante, mas estou escrevendo um post de um blogue. Então, aqui, significa! E, como trabalho com Comunicação especializada em Previdência Complementar desde 1991, acho que essa experiência acumulada também significa!
Para encerrar, o âncora do Roda Viva, Augusto Nunes, fala sobre pesquisas que mostram que a sociedade já entendeu a necessidade da Reforma. Quem está causando, então, é certamente quem está com o futuro garantido.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

MATEMÁTICA: VAMOS RECONTAR ESTA HISTÓRIA!!!

Esta semana o Jornal Nacional vai apresentar uma série sobre a presença e importância da Matemática na vida cotidiana. Fico pensando: quando superarmos o medo do que nos parece complexo ao pensamento, dominaremos o mundo. Veja a chamada: 

Assustadora, ela está nas coisas mais simples da vida: a matemática



A reportagem é boa. Gostaria que mostrasse também o diferencial competitivo de quem entende de cálculos, projeções, decisões com base em análise de dados. A vida intuitiva - no século 21 - tende a dar mais espaço para essa competência que se adquire por meio dos números. A Tecnologia da Informação exige esse reposicionamento! Nós exigimos, quando buscamos por precisão, rapidez, mitigação de riscos, garantias de resultados. Mesmo a Comunicação - que até o século 20 era considerada parceira da criatividade, do subjetivismo, da interpretação - passou a ser monitorada por recursos de medição, indicadores, dados estatísticos.

A Matemática está no compasso ou descompasso das nossas veias. A gente vê o número no monitor e sabe se a pressão sanguínea está ou não normal. Os batimentos cardíacos. Os impulsos elétricos. Quantos alunos cabem em uma sala de aula? Quantos passam no exame do ENEN? Quanta cidadania e dignidade poderia ser resgatada com a mitigação da corrupção no Brasil e no mundo?

Ainda ontem, escrevi uma matéria sobre o trabalho de um padre. É impressionante o número de casamentos, batizados, missas, reuniões, doações, aulas para adultos - entre outras atividades - que uma igreja pode realizar. Tive acesso a todos esses dados. E precisei conciliá-los em uma história coerente.

Pessoas exponenciais

Tenho insistido em uma leitura considerada meio que bíblia do século 21: Organizações exponenciais - por que elas são 10 vezes melhores, mais rápidas e mais baratas que a sua (e o que fazer a respeito) - de Salim Ismail, Michael Malone e Yuri Van Geest, rrio da Singularity University.

Entre outras ideias associadas à Tecnologia, eles revêm o conceito de abundância no século 21 - tratado também por Peter Diamandis - em contrapartida ao conceito de escassez presente em toda história da humanidade. Organizações exponencias geram impactos em escala. Transformam o mundo e o comportamento. Os exemplos são muitos. E os cientistas estão realmente entusiasmados com a celeridade dos avanços.

Há, entretanto, uma conta que não fecha: a distribuição, a democratização do acesso a esses avanços. Isso ainda é uma incógnita. No início deste século, quando preparei minha dissertação de mestrado e defendi na academia uma reflexão sobre a importância dos dados quantitativos na linguagem jornalística, minha ideia era estimular a discussão sobre essa competência que pode desenvolver a exponencialidade nas PESSOAS. O empoderamento - que naquela época eu chamei de cidadania e autonomia. 

Porque um leitor autônomo - com pensamento livre - tem mais recursos da razão para justamente se posicionar diante da escassez, da abundância, da distribuição, da concentração. Ele tem uma relação mais orgânica e não de medo ("assustadora matemática") com o mundo. Isso vale para o leitor, o telespectador e, principalmente, para o jornalista. Vale para todos. 

E a superação dessa limitação talvez desencadeie o que a Física chama de Efeito Borboleta - reação em escala - a favor de uma relação mais harmônica entre a espécie humana. Sei, parece projeções de Poliana!!!! Mas, Cara Pálida, só faz sentido se mudar para melhor. Eu penso assim!

E fica uma pergunta na minha imaginação: será que nós que criamos narrativas - corporativas, educativas, jornalísticas, publicitárias - sobre o mundo, desenvolveremos novas habilidades para contar números, histórias sobre números, prosas sobre homens, vida e futuro?

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O QUE VOCÊ VAI SER, QUANDO ENVELHECER?


Já faz tempo que eu busco respostas para essa pergunta: o que você vai ser, quando envelhecer? Porque essa pergunta é muito, muito moderna. E não, eu não estou sozinha nesta reflexão. Ontem, o programa TERRADOIS, da TV Cultura, trouxe o tema "Envelhescência" à discussão. Vale à pena investir 40 minutos nesta viagem!

 A velhice é individual! Acho que é por esse motivo que esta foto me comove tanto. No século 21, mais do que finitude, velhice se transformou em possibilidade. Isso é bom e ruim. Velhice é privilégio. Nem todos conquistam essa experiência. E velhice não é democrática! As condições financeiras são determinantes para que a experiência da velhice esteja garantida em nosso currículo de vida.

As estatísticas comprovam o que eu terminei de escrever. O Mapa da Desigualdade, divulgado em outubro, mostra que a diferença de tempo de vida a favor de quem é rico - em São Paulo - chega a quase 25 anos (clique aqui). O idoso é um sobrevivendente! Mas a questão não se limita ao aumento da longevidade. Nem mesmo se refere ao aumento do tempo de serviço, tempo de contribuição à Previdência Social. Trata-se de uma questão econômica. Trata-se de uma questão de oportunidades. Trata-se de maior ou menor exposição à violência. Maior ou menor acesso à infraestrutura, à saúde.


Tempo com dinheiro

Penso que a Reforma da Previdência não é resposta para todos os problemas econômicos e sociais do  Brasil. Penso que a Reforma Tributária não é resposta para todos os problemas econômicos e sociais do  Brasil. Penso que a Lava-Jato não é resposta para todos os problemas políticos e éticos do Brasil.

Mas são iniciativas de caráter mais genérico que, uma vez implantadas, podem ser aprimoradas para chegar a situações específicas - como os privilégios, como a tributação de heranças e grandes patrimônios, como o REFIS, como as transações internacionais do Banco Safra, desde a gestão Paulo Maluf - só para manter a questão aqui em São Paulo. Mas pode se pensar em Samarco e tantos outros crimes que só fazem aumentar essa diferença de tempo de vida entre São Paulo e outras localidades deste país continental.

Há questões de justiça, sim! Mas aprendi que a eficiência financeira e o lastro econômico precedem a justiça. Sem trabalho, não há dinheiro, saúde, educação, habitação, segurança, vida. Penso que nada disso é resposta absoluta, mas há respostas absolutas no século 21? Nem mesmo a morte é mais resposta absoluta!

Aprender a aprender


"O que você quer fazer aos 96 anos"? Para mim, esta pergunta que surge aos 35 minutos do episódio “Envelhecêscia”, de TERRADOIS, é a principal reflexão que o aumento da longevidade desencadeia. A arcaica associação entre ser e fazer. O fazer que justifica o ser.

A automação preconiza o fim deste grande paradigma do século 20. A automação é o fim, primeiro do emprego. Depois, do trabalho. E ainda das contribuições à Previdência Social. Por último, do significado de nós mesmos. 

“Nós precisamos de uma escola de ocupação da nossa longevidade”, explica o psiquiatra Jorge Forbes. E aí é que está o pulo do gato! Quem se habilita a ensinar essa lição? Com soluções, mais do que reclamações? Com transformações, mais do que restrições (além daquelas que naturalmente existem)? 

Hoje, eu não tenho respostas. Só mais ecos para a pergunta: o que você vai ser, quando envelhecer?

terça-feira, 31 de outubro de 2017

TEM GENTE QUE FAZ, ENQUANTO OS OUTROS SÓ FALAM

Eu ia começar este post explicando minha ausência nos últimos tempos. Mas decidi falar sobre minha presença no TEDx USP - INTERAÇÕES, que aconteceu dia 27 de outubro aqui em São Paulo.

Das 10 apresentações pautadas na programação, eu me identifiquei demais com as contribuições de Mathew Shirts, jornalista e brasilianista que, na rádio Band News, comanda o programa São Paulo para Paulistanos. Shirts falou sobre seu trabalho como editor na revista National Geographics publicada aqui no Brasil. E explicou como ser uma voz solitária falando sobre impactos das mudanças climáticas. Curioso, porque eu achava que essa coisa de "voz solitária" era uma espécie de exclusividade para quem trabalha com Previdência Complementar. Afinal, diferentemente, os ambientalistas são organizados, militantes, pelo Green Peace e outras instituições têm visibilidade, não é mesmo? Só que não! 

As evidências sobre os incêndios de florestas e reservas ambientais na Chapada dos Veadeiros e em Portugal apontam para ação criminosa. Os Estados Unidos, o Brasil e outros países rompem protocolos, praticam tudo o que sabem que vai destruir mas nutre a ganância e o poder. 

Ontem, no Jornal Nacional, a matéria Concentração de gás carbônico na atmosfera atinge o maior nível em 800 mil anos (clique aqui) me chamou a atenção. Porque a economia global e a sociedade (eu, inclusive) - indiferentes aos apelos e evidências dos cientistas e ambientalistas - não mudam o comportamento, ainda que haja risco para todas as espécies do planeta. 

Porque estou escrevendo isso? Porque nos últimos dias outubro as manchetes sobre Previdência na imprensa são:



Frente a esse tsunami verborrágico sem noção, eu me perguntei: vale mesmo vender essa sandice? Depois, eu senti uma nostalgia da época do jornalismo comentado, analítico e investigativo, o jornalismo consequente era mainstream neste país.

Graças a Deus, uma "voz solitária" e corajosa se manifestou com responsabilidade: o procurador do TCU Júlio Marcelo de Oliveira publicou CPI da Previdência vende uma ilusão ao afirmar que não há déficit.

"Por incrível que pareça, o gasto social do Brasil em percentual do PIB (24,5%) é superior ao do Canadá (21,3%) e do Reino Unido (24,0%) e próximo ao da Alemanha (27,3%). Ocorre que mais da metade desse gasto (12,4%) é feito com previdência e assistência social. Gastamos apenas 6% com educação pública e 4,8% com saúde pública, 0,5% com Bolsa-Família e 0,8% com Seguro Desemprego e Abono Salarial.
Os números são eloquentes, assim como o é nosso atraso econômico e social. Ao negar a necessidade de reforma da previdência, o que a CPI da Previdência nos diz é que está bom gastarmos cada vez mais com aposentadorias em vez de aumentarmos os gastos com saúde e educação. Um verdadeiro tiro no pé".

Aprender a falar

A quem interessa a redução da verba para a Educação, para o desenvolvimento da pesquisa acadêmica? A quem interessa que os cientistas brasileiros abandonem o país em busca de financiamento para suas pesquisas? Quem paga pela aquisição de soluções e inovações desenvolvidas pelos cientistas brasileiros empregados no exterior?

As perguntas são incômodas e não são minhas. Trata-se de uma paráfrase de um trecho da palestra que mais me destruiu no TEDx USP. Ela foi apresentada por Natália Pasternark - bióloga, fundadora do Café na Bancada, blogue de divulgação científica, e diretora no Brasil do Pint of Science, festival internacional de divulgação científica.

Ela cobrou muito essa coisa que a gente chama de protagonismo. Protagonismo daquele já minguado percentual da população que alcançava a formação universitária. E eu fiquei com vergonha, naquela hora. E pensei: "é falar sozinho!". Será? O Conversação está com 125 mil visualizações. Quando eu comecei, tive dúvidas se vingava. Mas tentei e insisti. E sei que já fiz mais... Este ano reduzi, porque não estava muito segura sobre minhas ideias diante de tanto ruído.

Só que sei de profissionais que estão fazendo um trabalho lindo para que as PESSOAS - independentemente dos políticos, dos ruídos da imprensa, da contrainformação - tenham um futuro melhor de verdade. Para que as PESSOAS sejam autônomas, independentes dos governos que, inevitavelmente, passarão e serão passado arcaico. A todos esses profissionais comprometidos com um futuro de qualidade eu rendo minhas homenagens aqui, hoje. Com eles, eu não falo sozinha.





terça-feira, 10 de outubro de 2017

TV ABRAPP: A GENTE FOI MAIS LONGE NO 38º CPCF!


Monitor de TV instalado na porta do estúdio da TV ABRAPP
Algumas experiências profissionais são tão gigantes, que a gente - por um tempo - não sabe ao certo expressar o que elas significam.

Desde o começo do ano, estou envolvida no planejamento, inovação e produção da TV ABRAPP para o 38º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar Fechada. Eu diretamente com dois feras  - Alexandre D'Andrea e Rosana Rocha. E indiretamente com toda a equipe de coordenadores e dirigentes do evento. A gente aprende muito, sempre. E nunca aprende tudo!!! Sempre tem surpresa.

Engraçado que, em 2011, quando tudo começou, eu achava e continuo achando que a TV ABRAPP é conteúdo! Conteúdo é sempre minha estrela-guia. Acho que, em 2012, eu somei equipe à lista. Chegamos a um ideal de equipe em 2013. Isso permitiu que, em 2014, eu avançasse na lista: planejamento, conteúdo, equipe, processo. Acho que, em 2015 e 2016, avançamos para infraestrutura, o que se refletiu em qualidade de edição. Acho que também avançamos muito em relacionamento em várias etapas - antes, durante e depois do Congresso.


Este ano, em razão de um patrocínio inesperado e visionário, implantamos uma inovação: a Estação TV ABRAPP, que atuou simultaneamente ao Estúdio. Alexandre D'Andrea, Rosana Rocha e eu éramos praticamente os únicos veteranos da equipe. Confesso minha angústia, apesar da experiência. Meu estômago estava cheio de borboletas durante todo o evento. Aprendi que a equipe precisa ser flexível. Voamos mais longe!

Linguagem!

Mais do que dobrar a captação de conteúdo, trabalhar com influenciadores estratégicos, alinhar a mensagem do Congresso - PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PARA TODOS! - acho que finalmente estamos construindo uma nova linguagem. Mais dinâmica, simples, sorridente. Tudo isso, sem comprometer o valor da excelência técnica, bandeira de todo o Sistema de Previdência Complementar Fechada. E eu estou imensamente feliz por esta experiência profissional épica.

Entre os 69 vídeos que fizemos, um deles me comoveu muito. Porque expressa demais tudo o que eu acredito. Troca integeracional! Interação e presença de entrevistador (Pedro Málaga, 19 anos, um Luke Skywalker) e entrevistado (Nilton Molina - o mestre Yoda da Previdência Complementar) que se propõem quase um jogo, um desafio de pensamento rápido - quase um duelo de sabres de luz. Mostra também e lindamente a alternância que a Comunicação tem, quando ela é plena, horizontal, democrática, inteligente. Mostra uma aula que vale para todos os tempos, para sempre.  Eu amei todos os vídeos da TV ABRAPP no Congresso. Mas este é o do meu coração e, para mim, ele representa todo o amor que está empenhado neste trabalho! Quer ver mais? Clique aqui.


 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

QUEM TEM SOLUÇÕES PARA O TRABALHO SEM CLT?

Presta atenção! Em novembro as novas regras trazidas pela Reforma Trabalhista entram em vigor. Na prática, essas regras devem significar - para o bem e para o mal - muitas possibilidades de relações do mercado de trabalho. Terceirização, pejotização, inserção do segmento 50+, trabalho sob demanda.

As perguntas que me inquietam agora são: as políticas de gestão de pessoas estão preparadas para atrair e reter mão de obra qualificada nas empresas? Nós, da Previdência Complementar Fechada, temos produtos para dar proteção previdenciária a trabalhadores com esse perfil?

Explico! Desde 2009, sou profissional liberal. Minha passagem pela Fundação CESP, entre 1991 e 2009. Sem a contrapartida do patrocinador, meus rendimentos só permitiram que eu eu mantivesse o plano via o instituto de Benefício Proporcional Diferido (BPD). Isso significa que, até eu cumprir todas as carências e adquirir o direito à complementação de aposentadoria, esse patrimônio fica imobilizado. Mas eu tenho maturidade e cultura previdenciária suficiente para entender a regra do jogo e sustentar a MINHA decisão.


Penso que - até para facilitar a Comunicação com a sociedade, que vai precisar de acesso a produtos de natureza previdenciária, é importante que os motes da Reforma Trabalhista e da Reforma Previdenciária sejam convertidos em diálogo.

O Santander - com muita habilidade - está fazendo esse movimento no mercado. A campanha a tecnologia financeira para facilitar a vida do empreendedor é matadora! Mostra a nova realidade do trabalhador - sem a proteção social da CLT - e apresenta uma ferramenta adaptada para esse mundo de novos negócios de todos os tamanhos.




O 38º Congresso da Previdência Complementar Fechada vem aí. Em outubro, esse debate ganha o mundo presencial, com o mote Previdência Complementar para Todos. Quem encara? Quem propõe soluções? Quem tem ferramentas? Quem tem sugestões? Estou muito ansiosa para descobrir as respostas.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

50+ TONS DA COMUNICAÇÃO EM PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR

Trabalho com Comunicação com foco em Previdência Complementar desde 1991. Faz tempo! E vejo esse tempo como uma vantagem extraordinária. Porque permitiu que eu acompanhasse muitos movimentos que a Previdência Complementar fez para se adaptar a estatizações - e portanto aos modelos de plano CD e adesão facultativa. Planos Instituídos. Planos com Perfis de Investimento. 
Estava lendo a entrevista - O abandono da ótica do Medo - de Renato Meirelles à Revista da Previdência Complementar. Para quem não sabe, Renato Meirelles é uma autoridade. Um trecho da matéria explica:


"[...]presidente do Instituto Locomotiva, que apresentou o estudo Brasil Maduro no último Encontro Nacional de Comunicação e Relacionamento com o Participante realizado pela ABRAPP. Fundador e presidente do Data Favela e do Data Popular, onde conduziu diversos estudos sobre o comportamento do consumidor emergente brasileiro, Renato fez parte da comissão que estudou a Nova Classe Média Brasileira, na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República". 
Eu não vou repetir a entrevista aqui, mas quero comentar um aspecto. Renato Meirelles chama a atenção para a geração 50+, que ele chama de Gray Power, e a inabilidade dos comunicadores para lidar com ela. 50+ significa: pessoas acima de 50 anos, escolarizadas, e que deverá movimentar R$ 1,5 trilhão na economia.


Mais do que o uso inadequado de estereótipos, a crítica de Renato Meirelles evidencia o uso do medo como estratégia de abordagem das PESSOAS, para que ela faça a adesão a um plano previdenciário.

A técnica foi realmente muito comum. E ainda é usada, mostrando a relação risco/desamparo, causa/consequência do adiamento da decisão. Lembrou aí, Cara Pálida, dessa prática? Bom, mas não é só isso. A geração de comunicadores pós 2008 - muito em razão dos programas de Educação Previdenciára -  substituiu a ameaça e passou a encontrar formas atraentes para oferecer um futuro mais sorridente a participantes potenciais. 
Mas concordo com a crítica! Em geral, a Comunicação Previdenciária tem um salto, um hiato de representação entre 30+ e 60+, curiosamente a faixa etária que me representa e também a muitos profissionais da minha geração e que estão na ativa, trabalhando para fazer mais e melhor.
"Estamos falando de um Brasil onde nascem cada vez menos pessoas e as pessoas vivem mais e que, portanto, registra mudança da faixa da parcela da população brasileira de 60 anos. Ela vai dobrar em uma geração. E isso coloca para o país um conjunto de desafios: que país os jovens de hoje querem viver no futuro? Estamos conseguindo ou não construir um país que seja aberto à população mais envelhecida e que vai viver mais tempo?" Renato Meirelles
A resposta parcial que eu tenho para esse questionamento tão objetivo é: ainda não. Porque os desafios sobre os quais eu penso são maiores até do que a Previdência Complementar. Incluem políticas públicas de respeito e assistência à saúde, inclusão social, acesso ao mercado de trabalho, acesso a cultura e educação, transporte público e trânsito mais humano [na cidade e nas estradas]. Porque, Cara Pálida, a "melhor idade" já é! E uma experiência em massa. Oi? É.

"Olha, eu acho que muitas vezes a comunicação é muito técnica e baseada no pavor, no medo. O que você vai fazer quando envelhecer? O que você vai fazer se não tiver mais trabalho? E talvez fosse mais adequada uma abordagem com viés mais positivo, algo como 'se preocupe em viver' [...]Mostrar o quanto ter segurança financeira abre portas, em vez do princípio lógico do medo, pode ser um caminho interessante de abordagem". Renato Meirelles

Sobre essa perspectiva, vou um pouco mais longe. Acho que parte desse medo também revela rejeição à idade. Tem gente que rejeita a idade, como se pudesse ficar imune ao envelhecimento. Bom, acho que isso é mais uma forma de preconceito que tem nome - etarismo. E como todo o preconceito, precisa ser superado. Depois, é uma forma de rejeitar o trabalho que as soluções exigem. E tem muito trabalho pela frente!

E se tem alguma coisa nova no horizonte é esse olhar atento do mercado para criar expressões além da fragilidade (velho desamparado) e do forever young (velho com piercing e tatuagem). A gente pode fazer melhor, porque diversidade é uma busca permanente de expressões que representem com propriedade a multiplicidade de possibilidades das PESSOAS. 

E comunicador encara esses desafios por modinha?
Claro que não! Comunicador encara esses desafios porque está em seu DNA estabelecer conexões significativas em escala. Comunicador está comprometido com os resultados institucionais estratégicos. Comunicador tem sempre um caso de amor com Educação e aí está o salto qualitativo dessa história: a transformação de comportamento.

50+ variações da mensagem meta tímida para quem pensa em muuuuuuitas PESSOAS. E por quais motivos ainda não nos expressamos assim? Porque ainda precisamos conquistar posicionamento e alinhamento. As soluções de Comunicação precisam ser reconhecidas, legitimadas, aprovadas e depois divulgadas com essa visão comum, compartilhada, endossada.

Falta alguma coisa para fechar esse post? Acho que falar sobre novas atitudes. Elas são determinantes para que tudo mude. As palavras, as cores, os comportamentos.  As atitudes mudam os protocolos. Tornam as relações mais objetivas, sustentadas por fatos. 

Eu tenho certeza que a gente vai ganhar esse jogo, ainda que  o horizonte não seja muito claro aqui e agora. Nesses momentos críticos, é sempre bom lembrar que, há muito tempo, a gente deu essa largada e partiu na aventura de criar o futuro todos os dias.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A ESPONTANEIDADE É UMA LIÇÃO INTEIRA DE VIDA

Isabela e Adriana Carvalho Vieira
Trabalhar com Comunicação no mundo em modo beta [sempre inacabado] surpreende e mantém uma perplexidade contínua com aquela pergunta inquietante: e agora?

No último sábado, eu estava navegando na rede social e parei para assistir a um vídeo postado pela advogada e amiga Adriana Carvalho Vieira. Ela costuma registrar e compartilhar momentos familiares que - juntos - compõem uma crônica afetiva do cotidiano. Eu curto ver!!!!! 

E foi assim, com esse espírito desarmado, que 30 segundos de Isabela (a caçula da Adriana) e o Pirata (o dono da casa da Adriana) me transportaram sem escalas para a esfera das teorias todas da Comunicação, Sociologia da Linguagem, Filosofia da Linguagem, Antropologia... Eu pensei em tudo misturado e ao mesmo tempo.


Um salto no século

Para quem não viveu aquela época, o século 20 foi um tempo em que as PESSOAS diziam: "Dá a patinha!" . O animal, quase sempre respondia à súplica com indolência ou indiferença. Entretanto, a Isabela e o Pirata mostram que no século 21 as coisas são bem diferentes. Ela comanda: "Toca aí mano!". E ele não só entende como ainda corresponde intransitivamente.
"Ensinai, ó Pai, o que eu ainda não sei". Gilberto Gil

Penso que, como eu, meus mestres dificilmente teriam respostas para as questões sobre as mudanças na Comunicação e no mundo de hoje. A crescente importância que os dados assumem nas mensagens. O descompromisso com a verdade. O comprometimento da ética. O lucro a qualquer custo. Tudo isso entra em doses diferentes nas informações que consumimos diariamente. Capitalismo na veia faz trocar espontaneidade e poesia por lógica e dinheiro. 

E a vida acontece à parte de tudo isso. Talvez nem sempre tenhamos olhos ou tempo para ver. Talvez estejamos indolentes e indiferentes à vida, preocupados e ocupados com os apelos capitalistas e o olho do furacão do mercado de trabalho. Não tenho respostas ainda. Só inquietação e aquela pergunta insistente: e agora?

Além dos algorítimos e apocalipse

O vídeo da Isabela e do Pirata me fez querer estar em um futuro diferente daquele que os especialistas têm preconizado: robôs, algorítimos, desemprego, desamparo e apocalipse. Eu quero construir novas narrativas de futuro, porque há muito tempo esse tem sido o meu trabalho, como operária da Previdência Complementar em um país tão desigual, como o Brasil.

E eu espero que, no futuro, o trabalho que estamos construindo seja solução significativa em maior escala também para as PESSOAS do século 21. Eu espero, de coração, que tenhamos muitas respostas e novas histórias de vida não apenas mais longevas, mas humanas, plenas, sensíveis e felizes - versão evoluída de nós mesmos.